Eu estava no fundo do ônibus, estava chovendo pra caramba lá fora, mas aquilo não me incomodava. Chegou o ponto em que eu descia, eu dei o sinal, e o motorista parou a dois metros da calçada, tinha um maldito rio na miha frente:
-Você pode ,por favor, parar mais perto da calçada?
-Não.
-Porra, você só precisa colocar o pé na merda do acelerador e andar dois metros, daqui a um minuto você vai ter esquecido de mim. Eu estou indo pro trabalho, eu faço o turno da noite, se eu pular nesse rio eu vou ficar com o sapato encharcado o resto do dia, e vou lembrar até amanhã de você e de como você foi um babaca!
Ele não respondeu e deixou a porta aberta, mergulhei naquele rio de água suja e me molhei até os joelhos.
Atravessei a rua, cruzei o caminho de uma menina linda fumando um cigarro de baixo do guarda-chuva. Chovia muito.
Andei uma quadra e cheguei em casa. Tomei um banho quentíssimo e deitei na cama, não precisei nem preparar uma bebida, dormi bem como não dormia há anos.
Abelardo
São Paulo, 28 de abril de 2011
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