Algumas pessoas enxergam as luzes coloridas da cidade todos os dias e já deixaram de se impressionar por elas há tempos, aliás, estas são a maioria. Porém existem outros que não se cansam de pensar nelas como algo extraordinário. Afinal, os homens somos feitos para caçar e morar em cavernas. Somos os mesmos homens de 10000 anos atrás, mas vivemos em cidades iluminadas.
Samuel estava voltando a pé do trabalho e mal podia esperar para chegar em casa e começar a pintar o quadro que tinha imaginado durante aquela tarde. O quadro já estava inteiro pintado em sua cabeça, provavelmente seria o melhor de todos que já havia feito, mas ainda faltava decidir as cores. E foi por isso que ele pegou um caminho diferente para casa, um que passava pelo centro da cidade. Assim vendo as cores dos anúncios luminosos e dos prédios, ia escolhendo as cores.
Samuel estava voltando a pé do trabalho e mal podia esperar para chegar em casa e começar a pintar o quadro que tinha imaginado durante aquela tarde. O quadro já estava inteiro pintado em sua cabeça, provavelmente seria o melhor de todos que já havia feito, mas ainda faltava decidir as cores. E foi por isso que ele pegou um caminho diferente para casa, um que passava pelo centro da cidade. Assim vendo as cores dos anúncios luminosos e dos prédios, ia escolhendo as cores.
Foi dando voltas pelos quarteirões iluminados, afinal aquela obra merecia um pouco mais de dedicação na escolha das cores que o habitual, era uma obra especial. Mas foi em uma dessas voltas que Samuel sentiu uma pontada no peito. Seu pai e seu avô haviam morrido do coração, mas não podia ser! Não justo agora, ele ainda não tinha feito um quadro tão bom quanto o que estava indo fazer. Primeiro apertou o passo para ver se chegava em casa, mas logo parou, não conseguia mais andar, era impossível.
Percebeu então que já não tinha mais jeito, que era sua hora, de repente o quadro não era mais tão importante. As luzes piscavam na sua frente e eram azuis vermelhas e verdes. Que cor seria a última? Agora essa era sua única preocupação. Não queria mais saber do quadro, ou para onde iria depois, queria só saber qual seria a última cor que veria na vida. Mas enquanto pensava nisso as cores alternavam-se cada vez mais rápido, até que já não era mais possível distinguir a cor da vez. Não teve tempo de se conformar com aquele último percalço. Era o que faltava para lhe roubar as últimas forças e o fazer fechar os olhos.
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